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Aspectos dogmáticos, teológicos e doutrinários do sábado 

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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            É no Antigo testamento,precisamente em Ex 20.10,que encontramos pela primeira vez, a menção do sábado como mandamento específico de guarda. A sua importância estava relacionada com o aprimoramento do caráter de um povo cuja submissão o transformaria em uma nação específica do Deus Javé. A obediência a esse dia era de tal relevância que o próprio Deus, anos mais tarde, o dosou com inúmeras solenidades cerimoniais.
            A circuncisão instituída  com Abraão, até então, estava dando certo. Com o sábado, não devia ser diferente, por isso, Deus o recheou de solenidades, proibindo nele, desde as transações comerciais (Am 8.5);as viagens de negócios(Ne 10.31; 13.15-16); O recolher lenha(Ne 15.32-36); Acender fogo(Ex 35.3);Carregar peso(Jr 17.21);Cozinhar alimentos(Ex 16.23); e arar a terra e colher os seus frutos(Ex 34.21). Enfim o sábado foi totalmente transformado em um mandamento cerimonialista e consequentemente Deus o transformou, à semelhança da circuncisão, em um sinal entre o próprio Deus e os filhos de Israel (Ex 31.17), e mais tarde, precisamente em Lv 23.4-7, em um mandamento cerimonial.
            Ora, não sendo o povo de Israel completamente fiel a esse sinal, tão significativo para Deus, Deus os ameaçou dizendo: “e farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas e os seus sábados...” (Os 2.11).
            Quando Jesus começou a exercer seu ministério propriamente dito, não obstante o povo de Israel guardar de um modo hipócrita o sábado, Ele, Jesus, já estava ciente de sua abolição (Os 2.11). O sábado hebdomadário ou semanal nos tempos de Jesus, era observado de acordo com as conveniências das autoridades judaicas da época (Mt 12.11). Isso significava que o sábado fora transformado em um dogma doutrinário fundamentado nas tradições judaicas (Mt 15.1-9).
            A semelhança dos fariseus e autoridades judaicas, os sabatistas, desde o século passado, também transformaram o sábado em um dogma doutrinário, sem o qual ninguém se salvará. E para confirmar o exposto, citamos o livro “Testemunho Seleto” da lavra adventista.
            O que o Novo Testamento é para os cristãos evangélicos de todo o mundo, o livro intitulado “Testemunho Seleto”, é para o povo adventista do sétimo dia a base de todo o sistema doutrinário. E é com a fé nesse sistema de doutrinas, que lemos a seguinte citação:” Se transgredirmos o mandamento do sábado, ainda que guardemos todos os demais. Somos violadores da Lei;E se transgredimos a Lei,pecamos”. Quando evangelizam, pregam uma salvação pela graça; porém quando doutrinam dizem que a guarda do sábado é um sinal de que o elemento foi realmente salvo. Isso contraria a perícope bíblica de Ef 2.8-9, a qual elimina o concurso de qualquer obra no processo da salvação.
            O fanatismo sabatista em relação ao sábado é de tal relevância que um de seus expoentes teve a insensatez de dizer que o ladrão, salvo por Cristo na cruz, vai ter que guardar um sábado, por ocasião da ressurreição, ou não será salvo. Que disparate! Isso atinge a nuance da estupidez doutrinária e o paroxismo da insensatez dogmática.
            Se o sábado, segundo os sabatistas, é tão indispensável para a salvação, por que Jesus o violou e permitiu que ouros o violassem? O fato é que tanto os fariseus como os sacerdotes e doutores da Lei, acusavam a Jesus de violar o sábado. “Por isso, pois, os judeus mais procuravam mata-lo, porque, não só quebrantava o sábado, mas dizia que Deus era seu próprio pai, fazendo-se igual a Deus”. (Jô 5.18) Vale salientar que Jesus violava mesmo o sábado. E isso dentro do contexto, tanto da crença da época, quanto do Antigo Testamento, onde ele foi instituído.
                       
            Como já dissemos linhas atrás, o sábado, além de ser recheado de mandamentos solenes para aprimorar o caráter do povo de Israel, foi reforçado por duras ameaças para qualquer que o transgredisse; E tudo feito pela boca do próprio deus. (Lv 23.30-32) E nenhum sabatista enfatuado venha dizer que aquelas proibições ordenadas por Deus, perderam o seu valor. Não! Não, porque mesmo na época de Jesus, apesar da hipocrisia reinante em sua guarda, elas eram praticadas por toda a nação. Razão porque condenavam os atos de Jesus, quando realizados naquele dia (Lc 23.56; Jô 9.16; Mt 12.1-2).
            A dura realidade, é que Jesus quebrou o sábado porque o mesmo, após ser transformado em mandamento cerimonial e abolido, não mais fazia parte da Lei Moral. (Lv 23.4-7; Os 2.11). Atentem bem para isso: se o sábado fizesse parte da Lei Moral, toda a Bíblia seria um oceano de contradições, e Jesus como transgressor da Lei não poderia ser nosso salvador e toda humanidade estaria irremediavelmente perdida. Adiante daremos maiores detalhes sobre o assunto.
            A Lei Moral é um patrimônio de todos os povos. Ela revela o caráter de Deus e sua perfeita santidade, diante da fragilidade humana. É nos seus postulados que o pecador, enxerga sua incapacidade de auto justificar-se perante o seu criador. A Lei Moral, em sua essência, exigia a absoluta e rigorosa observação de todos os seus mandamentos. A quebra de um único sequer, incorria-se na quebra de todos (Tg 2.10; Dt 27.26; Mt 5.19). Em toda a Bíblia, de Ex. ao Ap. não é encontrado um versículo sequer que permita a quebra de qualquer um dos nove mandamentos.
            Já imaginou um servo de Deus adorando imagens e Deus dizendo: “Ele está sem culpa, pois, está fazendo isso por uma boa causa”. Ou então o crente roubar alguém e ter o apoio do Espírito Santo de Deus; Ou desonrar os pais e ter o aval de Jesus. A palavra de Deus sempre condenou o homicídio, o furto, a desonra, o falso testemunho, etc. E Paulo, em Rm 1.29-32 diz que, “são dignos de morte quem tais coisas pratica”.
            Já com o sábado é diferente! No antigo Testamento era o mais cheio de solenidades proibitivas. No Novo Testamento, por constituir-se em um sinal cerimonial específico do povo de Israel, se lhe permitiu a quebra; E sem nenhuma conseqüência para o seu transgressor. Se o sábado fosse um mandamento da Lei Moral, seu violador seria culpado de todo o restante dos outros nove mandamentos; E a Bíblia se contradizeria se assim não fosse.
            O sábado hebdomadário ou semanal, apesar de estar incluso entre os nove mandamentos da Lei Moral, à semelhança da circuncisão, constitui-se em um mandamento cerimonial e, consequentemente em sinal entre Deus e um povo específico e particular, denominado povo de Israel (Ex 31.16-17). E, por não pertencer à Lei Moral, podia ser quebrado, e o transgressor, repito, ficava livre da culpa (Mt 12.1-7; Nm 28.9).
            Outra razão é porque, o próprio Jesus, Deus homem e Criador do sábado, (Col 1.15) o violou e permitiu que seus discípulos o violassem (Mt 12.1-2). Vale salientar que o argumento adventista de que as boas obras podem ser realizadas no sábado, vai de encontro ao que determina Ex 31.14 e 35.2, que diz: “Aquele que fizer obra nele morrerá”. De acordo com o Novo Testamento, obra é qualquer empreendimento em benefício do próximo. E mais de cem textos confirmam essa definição. E no Antigo Testamento, esta “nenhuma obra farás”, era interpretada por Deus e pelos seus profetas da seguinte maneira:
            Não era permitido:

  1. – Carregar peso (Jr 17.21); Jesus o violou quando mandou que o paralítico carregasse sua cama (Jo 5.8-10).
  2. – Arar a terra e colher seus frutos (Ex 34.21). Jesus o quebrou quando permitiu aos discípulos colher espigas para comer (Mc 2.23-24). O sábado era tão rigorosamente observado que era proibido até:
  3. – Transações comerciais (Am 8.5)
  4. – As viagens e os negócios (Ne 10.31)
  5. – Recolher lenha (Nm 15.32-36)
  6. – Acender fogo (Ex 35.3)
  7. – Cozinhar alimentos (Ex 16.23)

Diante de tantas evidências, o leitor há de convir que se o sábado fizesse parte da Lei Moral, além da Bíblia tornar-se contraditória, faria de Deus um perjuro e de Jesus um dos piores transgressores da Lei Moral e consequentemente um grande pecador. (Tg 2.11); E o mesmo Tiago diz, reafirmo, que “quem viola um é culpado de todos” (2.10). E mesmo sendo redundante e repetitivo, insisto em afirmar que a Bíblia diz que o sábado podia ser violado e que seu transgressor ficava isento de culpa; ”Ou não tendes lido na Lei que aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12.5). A nenhum dos nove mandamentos da Lei Moral jamais foi permitido a sua violação. Portanto, se o sábado pertencesse a Ela, aqueles sacerdotes, o rei Davi, o paralítico, Jesus e seus discípulos, seriam grandes pecadores.
            Contradizendo essas grandes assertivas acima descritas, Jesus em Jo 8.46, disse: “Quem de vós me convence de pecado?”. Realmente, Jesus jamais pecou. Entretanto, em inúmeras vezes, Ele não só violou o sábado, mas induzio outros a violá-lo. E o mais incrível de tudo isso é que em João 15.10, Ele afirma: “Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai”; Logo, o sábado está de fora porque Ele não o guardou nos moldes da exigência de Deus desde o Antigo Testamento. Pelo contrário, o violou.
            Gostaria que qualquer sabatista, à luz das Escrituras e da lógica, desprovido de sofismas, explicasse tudo isso sem colocar em xeque as Escrituras.
            Para nós, esta é a única alternativa, tanto para isentar Jesus e outros servos de Deus de terem transgredido a Lei, bem como para explicar a fragilidade e a inferioridade, e a razão pela qual o sábado poderia ser violado por quem o instituiu, no caso, Jesus (Col 2.15). E dizer que no Novo Testamento o sábado ficou tão inferiorizado, que Jesus o inferiorizou dizendo que o mesmo valia menos que a vida de um animal (Mt 12.11).

Conclusão
            O relativismo dado ao sábado no Novo Testamento o torna inferior aos outros nove da Lei Moral;Isto porque em nenhuma parte das Escrituras é encontrada, uma palavra sequer que permita a modificação da Lei, mesmo na insignificância de um til (Mt 5.17-19). Entretanto com o sábado foi diferente. Sofreu profundas modificações. De acordo com a rigorosa observação desse dia no Antigo Testamento, nenhuma espécie de benefício podia ser feito (Ex 20.10).Mas Jesus o modificou, permitindo que muitas daquelas coisas proibidas por Deus, seu pai, fossem realizadas, principalmente o bem (Mt 12.1).
            É oportuno dizer , que em todo o Novo Testamento não é encontrado um versículo sequer que mande um cristão gentio guardar o sábado. Nos evangelhos, sempre que aparece a menção a este dia, está sempre relacionado ao judaísmo. A Lei, sim, é sempre mencionada. Entretanto, toda vez que a Lei é mencionada, ela nunca se refere ao sábado como seu componente (Mt 22.34-40; Lc 18.20; At 15.19-21; e 15.10-11).
            Outro fato importante é o de que Jesus instituiu novos mandamentos, catalogados num total de 469, e os condicionou como resultado de obediência por parte daqueles que querem fazer a sua vontade e serem seus amigos (Jo 14.15; 15.12; Mc 16.15-18; I Jo 3.23-24 e 5.3 ).

Uma palavra de bom senso

            Certamente que a escolha do sábado feita por qualquer cristão como dia de repouso e forma de culto a Deus, é um ato louvável.
            De igual modo, aquele que escolher o domingo ou outro dia qualquer, compatível com suas necessidades, também é um ato louvável. O que não deve ser feito é colocar o dia como coadjuvante da salvação, uma vez que esta não depende do concurso de nenhuma obra, mas do sacrifício remidor do sangue de Cristo (Ef 2.6-9; 2.13; At 20.28). E para corroborar o exposto acima e oficializar o relativismo sabático foi que Paulo, eliminando o fator “Dia Específico”, recomendou o fator período de descanso, o shabaton, cujo significado é cessação mais ou menos temporária, e de onde procede o vocábulo sábado ( Rm 14.1-2 ). Em Rm 14.5 Paulo diz o seguinte: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz...”.
            A hermenêutica e exegese bíblicas, afirmam que Paulo estava tentando resolve, justamente o problema do dia de guarda que estava sendo um problema entre cristãos gentios e cristãos judaizantes da igreja de Roma.
            Esperamos em Deus, por meio do seu Santo Espírito, que este trabalho traga luz para consciências cauterizadas e repletas de exclusivismo religioso.

Nilson José Santana
           

Apêndice

  1. Sua origem (Gn 2.2-3)
  2. Foi transformado em Lei (Ex 20.8-10)
  3. Em obediência ao “...nenhuma obra farás...”, não devia ser violado em hipótese nenhuma. (Ex 31.12-17)
  4. Alguém que ousou viola-lo, sofreu a pena capital; Pagando com a própria vida (Nm 15.32-36)
  5. O que não era permitido fazer no dia de sábado:
    1. Era proibido carregar peso, principalmente se fosse constituído por objeto caseiro (Jr 17.21)
    2. Era expressamente proibida a realização de qualquer tipo de trabalho nesse dia (Ex 35.2)
    3. Foi declarado perpétuo somente para os filhos de Israel, hoje judeus (Ex 31.16-17)
    4. Era proibido arar a terra e colher os seus frutos (Ex 34.21)
    5. As transações comerciais (Am 8.5)
    6. As viagens e os negócios (Ne 10.31)
    7. Recolher lenha (Nm 15.32-36)
    8. Acender fogo (Ex 35.3)
    9. Cozinhar alimentos (Ex 16.23)
  6. Foi violado por alguns e por incrível que pareça, com o consentimento do próprio Deus.
    1. O primeiro foi violado quando Jesus ordenou ao paralítico que carregasse a sua cama (Jo 5.8-10)
    2. O segundo, ainda por Jesus ao efetuar muitas curas milagrosas no sábado (Jo 5.18 e 5.8-10)
    3. O quarto, quando os discípulos de Jesus colheram espigas para comer (Mt 12.1-7)
  7. Foi transformado em mandamento cerimonial (Lv 23.1-7)
  8. Foi finalmente extinto, tanto por constituir-se parte das solenidades cerimoniais, bem como pela sua constante inobservância (Os 2.11 e Rm 7.1-7)

Para complementar essa conclusão e esse apêndice anexo, apresento um argumento adventista sobre a guarda do sábado onde, segundo eles está implicitamente embutido na Lei. Dizem eles: “Basta ao discípulo ser como seu mestre” (Mt 10.25). Isto quer dizer que se Jesus guardou a Lei, devemos também guarda-la!
            Em relação ao sábado, também replicamos: “Basta ao discípulo ser igual ao seu mestre”. Isto e, se Jesus , por diversas vezes violou o sábado, também devemos violá-lo!
            Um outro argumento sobre a violação do sábado feita por Jesus é o seguinte: De que maneira um adventista guarda o sábado neste século XXI? O que, de um modo geral, um adventista não pode fazer em um dia de sábado? De acordo com informações de literatura adventista e dos seus expoentes doutrinadores, no dia de sábado; Não compram nem vendem, não recebem e não pagam, não abrem seus estabelecimentos comerciais, não fazem viagens de negócios e nem cozinham alimentos. Ora, pois eram justamente esses tipos de coisas que eram proibidas pelo próprio Deus ao povo de Israel fazer no dia de sábado (Am 8.5; Ne 10.31; 13.15-16; 15.32-36; Ex 35.3; 16.23; 34.21  e Jr17.21).
            Isto significa que as proibições do Velho Testamento em relação ao dia de sábado, para o povo de Israel, são válidas para os adventistas do século XXI. Isto quer dizer, que se valem para os dias atuais, certamente, logicamente, irrefutavelmente e insofismavelmente, valiam nos dias de Jesus. E a maior prova de que os Judeus dos tempos de Jesus guardavam o sábado nos moldes do Antigo testamento, está no simples fato da censura feita a Jesus pelos Judeus porque Jesus fazia as coisas que nem o povo de Israel do Antigo Testamento faziam, nem os Judeus do Novo Testamento faziam, e nem os adventistas do sétimo dia nos dias de hoje fazem.
            Logo, Jesus, de acordo com as proibições do Antigo Testamento, foi um tremendo violador do sábado.
            A não ser que Deus já prevendo o que ia acontecer, transformou o sábado em um mandamento exclusivamente cerimonial (Lv 23.1-7), e o aboliu como mandamento legal definitivamente em Os 2.11.
            Como contra fatos não há argumentos, espero que nossos amigos sabatistas abram os olhos e se convertam à graça salvadora de Jesus Cristo e deixem esse legalismo fanático do sábado.
           

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