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A Igreja o Católico e a Bíblia.

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

A Igreja o Católico e a Bíblia.      back to estudos                                                          
Nilson José Santana

Este foi o tema de um pronunciamento que me veio às mãos. Nele, apesar de sua composição não passar de uma apologética sofismática, nota-se o esforço em provar o interesse da igreja Católica Romana pela leitura da bíblia, pela salvação da humanidade e pelo Cânon dos escritos sagrados.

Não se pode negar que Jerônimo, Justino e Crisóstemos insistiram na leitura da bíblia. Agostinho considerava suas traduções um meio abençoado de propagar a palavra de Deus entre as nações. Gregório I recomendou a leitura da bíblia, sem fazer qualquer objeção. Com tudo o que o nosso interlocutor não sabe é que desses acontecimentos até os nossos dias, faz um total de aproximadamente 1500 anos. Jerônimo, Justino, Agostinho e Crisóstemos viveram entre o terceiro e quinto séculos. A união entre a igreja e o estado aconteceu no quarto século, quando Constantino, mancomunado com Silvestre I, convocou o Concílio de Nicéia, o primeiro concílio mundial da igreja, para nele introduzir aquela funesta união. E para "seu governo", a igreja, praticamente, não era, ainda, considerada universal ou católica. Daí, o grande interesse, por parte de todos, pela leitura e propagação das sagradas escrituras.

Com Inocêncio III, mil anos depois aproximadamente, anos 1216 precisamente, começa a guerra contra o santo livro. Agora a igreja era católica, milhares de heresias já haviam sido introduzidas no seu seio litúrgico, como a sanção ao culto das imagens pelo concílio de Nicéia em 787, a doutrina do purgatório em 600, a veneração de relíquias em 400, a canonização dos santos em 100, o sacrifício da missa em 1100, os sete sacramentos em 1215, a transubstanciação idem, a confissão auricular -1216, a tradição (que até então não era aceita) 1546, a infalibilidade do papa 1870, a autorização dos livros apócrifos na bíblia 1547, a venda das indulgências -1563, a imaculada Conceição de Maria 1950, o batismo infantil e outros...
Como dissemos no parágrafo acima, além de Hildebrando, que proibiu aos boêmios a leitura da bíblia, Inocêncio III proibiu, ao povo ler as escrituras na linguagem materna, isto é, em latim. Gregório IX proibiu que os leigos possuíssem a bíblia e suprimiu as traduções. Estas, que circulavam entre os Albigenses e Waldenses, foram queimadas e seus possuidores assassinados na fogueira. Paulo IV proibiu a posse de traduções sem a sua permissão. Os jesuítas induziram Clemente XI a condenar a leitura da bíblia para os leigos. Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI e Pio IX, condenaram todas as sociedades bíblicas.

Quanto à Bíblia não se constituir em única regra de fé, é mais uma das artimanhas do clero romano, pois em Mateus 15:3 Jesus os condena severamente. Além disso o apóstolo São Paulo recomenda aos gálatas a não receberem outro evangelho além do que ele lhes escreveu Gálatas 1:8 e 9.

E para não deixar equívoco sobre a falibilidade da tradição, dizemos que, depois que foi escrito o último livro do Novo testamento até o ano de 1546 de nossa era, quando foi criado o dogma da tradição, todos cristãos viveram tendo somente a bíblia como única regra de fé e prática por um período de aproximadamente 1500 anos.

Quanto aos sete livros a mais na bíblia católica, foi o próprio São Jerônimo, juntamente com Lutero (antes de sua conversão) quem os denominou apócrifos, isto é, não inspirados, não pertencentes ao cânon ou hebraico. Pois como todo bom católico deve estar bem informado, só em 1547 de nossa era é que foram com o objetivo de confundir a bíblia dos evangélicos, considerados inspirados.

Para terminar, fico meditando como alguém pode ser tão cego a ponto de defender uma doutrina idólatra, dogmática, secularizada, fetichista e supersticiosa , não tendo seus adeptos certeza da salvação e nenhuma segurança.

Nilson José Santana

 

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