A falência do amor to estudos
Em sua sabedoria, Pitágoras afirmou que os números na verdade não significam nada, mas são tudo; a quantidade é uma ilusão, porém necessária; e digo que quantidade sem fundamento e firmamento apenas é aparência àqueles que vislumbram de forma externa e superficial a estrutura fabricada e produzida em um sistema de trocas e favores no âmbito cristão. A verdade é que, como em qualquer outro caso, números são exemplos de uma efetivação plausível, conseqüência de uma construção "que deu certo", assim como um referencial a ser seguido. Não dirimente, a falência de um sistema, quando este baseado nos números e feitos, só pode ser orientado por uma única premissa: a falência ideológica. Tendo-se como cerne da questão a própria construção de idéias fixadoras de uma ideologia, a falência de um sistema ideológico seria a decadência-mor para o sistema, mesmo sendo ele totalmente supostamente correspondente às características cristãs concernentes ao que se entende por "seguir a Cristo e seu amor".
Percebe-se da necessidade em reafirmações do estilo "Deus existe!", sendo claramente apenas afirmações vagas, sem conteúdo sincero, pois expressam a hipocrisia regente das ações humanas. É interessante que a própria afirmação em si é desesperadora, pois tanta colocar em pauta um conceito intrínseco em todos os já vivenciadores do amor de Deus; amor esse inexplicável, e Deus é amor infundido em nossa destreza em negá-lo, ainda que tentemos pela retórica convencer a outrem um amor falsetado nos próprios interesses individuais sendo que, na verdade, e na realidade, negamos Deus em seu próprio amor em nossas expressões interesseiras. Temos a necessidade de demonstrar amor, não pelo próprio amor sendo exaurido de nossa alma, porém pela demonstração de um ato amoroso que choque os observantes para que sejamos, então, conclamados em ávidas festas de merecimentos humanos. Qual a necessidade de se ensinar o amor, haja vista que pela premissa de Deus nem sequer temos capacidade de explicar acerca do próprio Deus? Ensinamos, assim, em como sermos desesperados no amor, pois "temos de amar!" para que bênçãos imerecidas, porém merecidas pela visão dos homens, sejam derramadas, concluindo um desespero no amor... ou no resultado do mesmo?
Pensando sobre as instituições e suas diversificadas posições sobre o amor de Deus e o amor dos homens vejo que na instigante formalização de qualquer ideologia o amor deve estar presente, nem que tal possua uma índole meramente filosófica e teórica. É difícil, mas reconhecer que demonstrar amor sem resultados é algo constrangedor. Vai ver é daí que retiramos toda a nossa força de nosso próprio amor interesseiro, pois, no fundo, sem pensar achamos que Deus é interesseiro em seu amor. Nisso, claramente, formas e mais formas impositoras de atos aparentes de caridade são criadas para satisfação daqueles que não entenderam ainda qual é a grandeza do amor de Deus para conosco. Na realidade ninguém entendeu e nem irá entender; temos de reconhecer que a carne nesse aspecto é acompanhante de nossa própria existência. Além disso, ainda que pela teoria, tudo não passará de puro enredo frívolo, contudo transbordante de beleza.
Somos acompanhantes e muitas vezes festivos nas condições amorosas estabelecidas. Seria como pegar a carta de Tiago e afirmar que Deus está na caridade ou na demonstração da mesma. Tal argumento é vulgarmente vão; pois amor sem caridade é falso, como afirma Tiago. Entretanto, a caridade é apenas uma ínfima parte do real amor-Deus, Deus-amor, Deus/Amor. Estejamos concisos em estabelecer diferenças claras nesses "amores"; quem necessita de caridade somos nós, tanto de oferecer como de receber. Há merecimentos nesses atos, mesmo que de forma branda ou burlada. Porém, é poético dizer "Deus é amor", sendo a nossa própria intrínseca personalidade baseada naquilo oferecido por Deus, suas bênçãos. Não reconhecemos isso, mas é fato. Analisem o amor no qual seguimos, e esbarraremos em nossos interesses de vantagens diversas.
A verdade é simples: ainda que leiamos Coríntios treze constantemente, nunca iremos entender o que há por trás do Espírito Santo inspirador de Paulo.
E alguns ainda tentam entender por meio de expressões de histeria ou meras encenações de dons visíveis...
ICO:
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Estou para ver alguém afirmar tudo isso com sinceridade plena...
fonte: http://aignoranciaeumaescolha.blogspot.com
|