A fé como irresponsabilidade e ócio to estudos
A concepção básica de fé a todos os cristãos estabelece que a "fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem", conforme Paulo cita em Hebreus onze. Como fundamento daquilo que se espera, a fé é o alicerce da esperança cristã no impalpável, naquilo que chamamos de "ausente de evidência" e é, em conseguinte, o alvo principal de ridicularizações céticas perante a sistemática científica. Pelo cientificismo cria-se as premissas de descobrimento e avanço; evolução das técnicas humanas em teorias e práticas, assim como na tentativa de explicações para diversos fenômenos naturais. Em contrapartida, a fé se sustenta nas premissas da credulidade e confiabilidade em algo e na construção de laços de esperança ou conforto. Pela comodidade da própria esperança, entretanto, a concepção de fé aos poucos tem se tornado uma estreita vereda de superstições que alimentam o ócio e o repúdio pela ciência, sendo a fé contemporânea o alicerce do ato de ignorar e do menosprezo à busca de conceitos não-ortodoxos. Considero o termo "esperança", no vulgo da atual característica de sua significação, o desespero humano resultado da não confiabilidade e o desinteresse humano na superação dessa desconfiança. Prefiro usar, inicialmente, o termo confiança a esperança quando relaciono a fé como parte de uma certeza infundada.
Argusto Comte em sua análise da evolução do descobrimento estabelece três estágios que se resumem em teológico, metafísico e positivo. Tais estágios são níveis da evolução humana, baseada na experimentação, de análise científica de fatos para com as causas e conseqüências fenomenológicas. O estado teológico é a questão chave da presença primitiva do descobrimento. É válido ressaltar que muito do ódio religioso à ciência é de resposta às palavras de Comte, que afirmava ser o estado teológico o nível de descobrimento ainda preponderante na ignorância e na superstição mística. Na relação clara de Comte entre ciência e capitalismo foram demonstradas premissas de trabalho dividido ortodoxicamente nas classes sociais, enfatizando a necessidade do exercício da mente e do corpo que, não obstante, devem ter por papel principal a servidão à classe empreendedora. O ódio cristão à ciência teria, por fim, se concretizado na essência cristã de seguimento oposto a tudo aquilo que vai de encontro à crença cristã.
Como resposta ou descredibilização, a desvalorização da busca material por meios materiais era o sustento de que a fé (cuja característica básica é o impalpável) seria a única maneira de alcançar o materialismo sem as premissas de Comte concernentes ao trabalho, lucro e vantagens. O trajeto da contemporânea decadência cristã na ridicularização da ciência, e da exaltação da não-prática como pretexto de fé e confiança, é a conseqüência da fé como a espera de soluções divinas. Espera-se na intervenção de Deus para que problemas sejam solucionados, transportando o conceito de responsabilidade a Deus e o poder de intervenção.
Negar a fé e o conceito básico de Paulo é retirar Deus de todos os caminhos, tendo-se todos eles por mero reflexo de nossas ganâncias. Contudo, a conseqüência da eliminação da ciência como parte dos planos divinos tem se alastrado pelos seminários teológicos que procuram enfatizar, sem receios, a busca do poder de Deus através da confiança fundada na espera sem trabalho e no trabalho sem resultados. Aos poucos a mentalidade da cristandade evangélica se transformou no desacato à evolução da mente sistemática do homem com o pretexto de ser "Deus acima da ciência". A ciência como precursora do exercício da razão é a grande inimiga aos que consideram a "loucura do Evangelho" a "loucura dos evangélicos", confirmando aos quatro cantos a suposta necessidade de ócio para que Deus consiga resultados palpáveis aos desesperados que, sem trabalho, querem resultados. Com a facilidade de manipulação estupenda, as instituições religiosas digladiam acerca dos caminhos imaculados para se chegar à ação de Deus na ociosidade do homem, e na ação do homem como resposta ou apontamento de Deus. Tal esforço institucional é de tamanha influência que pelas relações familiares a ociosidade é desempenhada como a "espera em Deus". Em contrapartida, o árduo trabalho para que se consigam resultados é reflexo de um esforço humano, individual e, portanto, que exclui Deus.
A negação da ciência por parte dos cristãos transferiu créditos a Comte: o estado teológico é a iniciativa da ignorância na ciência, e a teologia é a sistematização de Deus na necessidade do homem em corrigir a ignorância à sistematização de fatos e possibilidades. É um abismo sem fim; as possibilidades são mínimas para que se supere a idéia de que a ciência é a negação da soberania divina. Antes, o cristianismo evangélico apenas terá como conforto os fenômenos ainda não descobertos pela ciência, e a ciência em cada descoberta será taxada como o "inimigo" tentando descobrir Deus.
fonte: http://aignoranciaeumaescolha.blogspot.com
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