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A arte do convencimento

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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A apresentação humana a um grupo que necessita ser convencido é definitivamente uma arte e um carisma de poucos; e a exposição de argumentos, acompanhados de uma caracterização de personagem confiável, é resultado de treinamentos fundados naquilo chamado de "a arte de elaborar e expor o sermão", em suma, a homilética. Assim como a apresentação pessoal como convencimento não é somente resultado de treinamentos instigantes à hipocrisia e aparência, a educação homilética se efetiva mediante a padronização de adornos argumentativos e teatrais, fustigando os ouvidos dos incautos em suas paixões ao belo expor de um indivíduo que segue recursos estudados à persuasão.

A relação socrática não se equipara somente com o fato da manipulação e aparência, mas com a finalidade do discurso que visa senão o convencimento. Sendo o convencer uma relação de confiabilidade entre palestrante e platéia, cuja primazia é estabelecida no "querer-ouvir", os traços são detalhados no que corresponde à forma padronizada dos discursos teológicos nos sermões em seus dados conceitos acerca de qualquer que seja o assunto. Tais conceitos são formas rebuscadas daquilo que a platéia tem por valoroso ou, interessantemente, naquilo não desejoso de se ouvir. É um contraponto de afirmações e negativas que, se posto no intermediário do pessimismo e do otimismo espiritual, formam na mente de um grande público a concepção ideológica sobre Deus e religare, mostrando os ideais chamativos àquilo tido por aceitável e devidamente tocante à Bíblia. Dar ênfase ao otimismo é estipular um levante na mente de pessoas derrotadas nas próprias convicções e necessitadas de palavras confortantes, belas, muitas vezes ilusórias. O pessimismo como antagonismo é a formação de um caráter humano nos padrões da argumentação proferida, instigando a platéia a tomar posturas drásticas, denotando o resultado infernal de uma passividade quanto ao sermão claramente indutivo.

A finalidade socrática se mostra eficaz quando o fingimento substitui a hipocrisia como termo que já se faz tanto praticado, porém de formas burladas. Negar a hipocrisia humana é negar o costume humano de aproveitamento de chances à demonstração de superioridade e anto-controle, sendo a homilética o estudo das formas burladas do fingimento e protótipo de condutas baseadas na aparência de uma sanidade mental e espiritual. Passar controle e firmeza ao público é essencialmente o triunfo da manipulação socrática, a qual incita uma repetição de atos e idéias na confirmação de sua efetividade. O estudo da movimentação corporal e do falar é o grande vilão dos carismáticos e a valorização destes da liberdade de argumentação (que se confirma na "liberdade do Espírito Santo"), aumentando o abismo dos tradicionais reformados que valorizam a "arte de manipulação da boa postura" e dos carismáticos pentecostais na "arte de convencer usando a boca de Deus".

Algumas das recomendações homiléticas como estudo do ato do sermão é a nobreza das palavras e atos, demonstrando-se o pregador como um indivíduo que tem base confiável tanto na sabedoria de palavras pensadas, não obstante inspiradas, como na construção de atitudes não grosseiras que passam ao público uma confiança de que o indivíduo tem uma relação íntima com a mensagem pregada. A própria mensagem em si já seria o resultado de um apanhado em parâmetros homiléticos na forçação de convencimentos pautados na soberania de Deus e Espírito Santo. Sendo Deus costumeiramente relacionado com aquilo que sai da boca do palestrante, os termos de estudo homilético são as tentativas de eficácia para que a mensagem seja transmitida claramente por meio de métodos retóricos. Olhar aos ouvintes é confirmar uma relação de proximidade e destreza de se transmitir familiaridade, formando uma cadência de fatores na aproximação inevitável entre o pregador e a platéia. Argumentar acerca das fraquezas internas do indivíduo e, por sinal, olhá-lo com compaixão, é gesticular um convite à beleza da mensagem transmitida, ou aprimorar a retirada do pessimismo individualista que a retórica enfatiza por meio do "deixar de fazer".

Demonstrar nervosismo ao público é jogar fora a pérola de um árduo trabalho na preparação da retórica e argumentos, e o nervosismo como algo natural é inconcebível se o palestrante visa o consentimento de um grande público. Como conseqüência, o exagero dos gestos quebram o olhar à fala de quem profere palavras de conforto ou acusação, finalizando a quase decadência de um discurso falho concernente à transmissão da mensagem. A homilética no sistema de retórica acusa os defeitos desses atos, construindo um personagem fiel ao que se conhece por bom orador e, em conseguinte ao afanado predisposto carismático, inspirado divinamente. Como concretização da falência de um discurso religioso, a indisposição perante a mensagem e o público é constantemente trabalhada para que não se faça indisposto aquele que fala em nome de Deus; e a homilética, pela qual identificamos as táticas socráticas, constrói o fingimento exacerbado.

Não mais vinculado ao fingimento, as vestimentas são essenciais ao convencimento daqueles que valorizam a imagem em sua boa colocação. Poder-se-ia delinear a platéia que valoriza o visto e os indivíduos que se concentram nas palavras corretamente faladas, assim como frases bem construídas na concordância gramatical. A apresentação não apenas formula a seriedade como pressuposto de confiança, mas constrói a beleza aos olhos de quem quer receber confiança. Meros detalhes enfadonhos e muitas vezes medíocres são essenciais para o alto convencimento de um todo, ainda que a retórica não seja da melhor forma trabalhada. A imagem pessoal seria a correção ou complemento de falhas de carisma e afinidade, sendo um dos últimos pontos a ser discutido e adestrado na argumentação socrático-homilética. A importância aos mínimos detalhes é a necessidade da aparência para que se dê o fingimento como algo escuso e fora dos conceitos do pregador e propagador de uma mensagem; e a premissa da aparência em sua tarefa em manipular sequer é de cunho somente homilético, mas plausível em qualquer relação humana na construção, adequação e enredamentos de opiniões.

A observação dos trejeitos de um sistema de convencimento é constituído por uma tênue linha que separa o ceticismo e o ato de ignorar toda e qualquer preleção instigante aos ouvidos e espírito. Mesmo sendo as técnicas de retórica oriundas de observações acerca de como convencer uma pessoa com maior facilidade, a mensagem como parte de idéias formuladas humanamente são resquícios de conceitos e observações unilaterais. Talvez seja pelo maniqueísmo existente entre homem e inspiração divina que as instituições carismáticas tanto enfatizam o esquecimento da homilética como base de melhor aproveitamento da mensagem. Seria como exercitar algo que somente e humanamente pode ser trabalhado: o ato de expor argumentos, extinguindo a atuação do Espírito Santo como bem próprio os carismáticos definem. A livre argumentação sem o estudo da homilética poderia ser o antagonismo ao estudo da retórica, salvo se o convencimento fosse mero exercício de uma das partes: palestrante ou platéia. É fato que a mística envolvente nos discursos teológicos fundamenta a predisposição de aceitação popular às palavras do pregador, e a própria mística exclui a necessidade de técnicas. Em sujeitos passivamente aceitadores da ideologia que o palestrante fala a vontade divina, não há como recomendar a análise e questionamento dos argumentos expostos, pois o ato de questionar seria afrontar a concepção de que Deus usa o homem e suas expressividades para se comunicar ou revelar algo. Pegando-se tal exemplo, a retórica estaria presente da mesma forma, podendo ser utilizada para fortalecer qualquer que seja a mensagem usando-se o nome de Deus. A retórica não seria a mensagem em si, haja vista que a mesma não passaria pelo crivo do estudo homilético, mas sim a ideologia que se forma e se constrói mediante a divinização de termos, palavras e pregadores.

Ao fortalecimento da conduta do preletor são dados adjetivos que o vinculam à santificação que o público necessita para se convencer antes da própria argumentação, sendo preparados os caminhos corretos para que a grande massa ouvinte já de antemão não construa conceitos errôneos acerca da mensagem, não obstante, sem supostos preparativos técnicos de retórica. A credulidade na inspiração divina irá compensar a falta de argumentação, porquanto os observantes tão somente irão se ater às palavras de incentivo ou repressão, privando-os da necessidade de reparar as desconexidades, contradições e ambigüidades da mensagem, visto que Deus não erra e não se contradiz, sendo inútil concertrar-se na logicidade dos argumentos. Ao passo que a análise individual da mensagem se distinguir do conceito institucional, não há como fundamentar qualquer crítica à mensagem em si, porém somente ao modo de como ela foi finalizada ao que se tem por proveitoso ou não à instituição religiosa, sendo que muitas vezes a pauta de valorização da mensagem tem por parâmetro os resultados últimos de pessoas que se rendem à propositura da mensagem.

São infindáveis as formas de como diagnosticar as técnicas que formulam aquilo chamado diariamente de uma boa retórica convincente e pertinente. Apesar da observação de técnicas de convencimento muitas vezes perceptível pela platéia, a fome pela comida pronta é a satisfação justamente daqueles que querem ser alimentados. O alimento sólido, quando realmente sólido, está debaixo dos panos que nenhum homem, em nenhuma mensagem, pode transmitir. E quando tal alimento é descoberto por uma minoria dentro de uma instituição, esta se faz de inquisidora para silenciá-los ao cume de adjetivá-los como frios, secos, ásperos. Sobre uma fé e um cristianismo excetuado da realidade institucional, não há como negar que, de fato, o fardo é grande para quem tenta se desvincular das instituições.

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