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 A escolha é minha... a culpa é do capeta?

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

A escolha é minha a culpa é do capeta  back to estudos 

Algumas leituras realmente nos surpreendem. Estou relendo o livro "Quando Nietzsche Chorou" de Irvin D. Yalom, e devo admitir: o livro nos demonstra uma capacidade intrigante de como analisar o ser humano. O livro, principalmente quando inicia o diálogo entre Dr. Breuer e Nietzsche, cria quase que um debate em palavras, expressões, suposições, em contraposição a uma determinada interpretação de certos assuntos principalmente religiosos. Não obstante, tenho reparado na literalidade desse tipo de análise interpessoal. No livro é claramente passada a idéia de termos idéias convictas em diversos assuntos. Na convicção de algo uma ideologia em si pode não ser "verdade absoluta" (pois o absolutismo na Verdade é utopia perante o olho humano), porém a idéia passada tem relevância de questionamento, ponto máximo para um real aprendizado na diversidade de filosofias.

A convicção é sabermos, pelos próprios questionamentos, medir a posição do próximo não por achismos do "é isso ou é aquilo", mas por não darmos margem a generalismos em condições circunstanciais. Penso em um detalhe um tanto quanto discutível: a convicção é maleável; ela se complementa em sucessivos acompanhamentos filosóficos, antagônica, assim, à certeza, que é a estagnação conceitual filosófica por ser a própria certeza um "topo não removível" na suposta Verdade na qual um indivíduo cria ou considera. Quando não temos convicções naquilo tido por nós com um certo valor de influência somos, mesmo afirmando-se o contrário, fundamentalistas na própria certeza. Criamos uma realidade paralela à nossa responsabilidade, dando na certeza de algo a base: "é isso e ponto final!". Sim, reconheço a importância de posições firmes, contudo a firmeza deve estar presente nas CAUSAS da própria questão, nunca em sua consequência, pois esta é subjetiva de pessoa para pessoa, de caso para caso. A causalidade é mantida ou mudada pela historicidade presente na "fator" dado ao agente. E o que mais me irrita é darmos a responsabilidade pela causa, e muitas vezes pela consequência, ao capeta. Quem sabe em uma outra ocasião eu analisaria as diferentes formas de atuação demoníaca (tal qual Rebecca Brown? Nunca); neste artigo apenas irei mostrar a "psicologia" em como culpar um terceiro por qualquer ato.

Em escolhas temos consequências e nas consequências, uma desculpa. A desculpa é uma forma clara e objetiva de nos desviarmos da consequência perante diversos "trajetos" percorridos, justamente por ser tais trajetos algo em que tivemos uma chance, talvez pequena e rápida, de simplesmente negarmos determinada prática ou conceitualização. Nas instituições religiosas onde se valoriza a demonização da própria ação humana, sim, a escolha terá influência diabólica. Não vejo respaldo nas cartas de Paulo, personagem mais valorizado por essa "corrente demonizante", para justificação de tal posição. Antes, como de maneira clara, é nos mostrado algo realmente esquecido nos dias de hoje: nossa libertação no sangue de Cristo. Ao demonizarmos nossos atos, por terem tido consequências ruins, negamos essa libertação. Quando santificamos um ato apenas super-valorizamos uma aparente "melhor" escolha mediante nossa visão da correta forma em nos expressarmos a Deus. O que fazer, então? Poderíamos assumir de vez: "sim, a responsabilidade foi minha, por uma escolha minha quando tinha outras diversas formas de simplesmente não me submeter".

Por ser a causa entregue nas mãos de Satanás, nada mais óbvio também ser a submissão uma outra justificativa. Submissão à nossa escolha? Não, ao Diabo. "Ele me tentou. Ele fez com que eu praticasse isso e aquilo", dizem alguns. A meu ver, quando abro meus ouvidos para tais argumentações, penso se essa seria uma desculpa digna de refutação. Como vamos mostrar à pessoa sua realidade de uma "realidade paralela"? Seria como ensinar um animal já adestrado a caçar em um ambiente a ele não mais válido para tal exercício. Tais pessoas são, no sentido lato da palavra, adestradas; totalmente isentas de culpa própria, de reconhecimento próprio. E não nego o remate de toda essa demonização: frustração quando nada mais poderá ser relacionado a Satanás. Nego Satanás em nossa vida espiritual (a batalha já foi vencida no nome de Cristo)? Não, contudo afirmarmos que ele nos manipula, nos induz, a decisões em escolhas é deveras contraditório ante qualquer imagem de Cristo para conosco, como o Senhor único e remediador de nossos erros. Ser "tentado" a ter pensamentos ou atitudes negativos é de proeza demoníaca? Ora, sendo assim, deveríamos assumir nossa subjugação espiritual (mesmo sendo nós lavados pelo sangue de Cristo) às hostes demoníacas, cujas funções já se concretizaram na "tomada" de nossa consciência e mente, refletindo-se claramente na manipulação de nossas ações. Intrinsecamente sabemos que na realidade tal argumentação é um escape para refrescar a culpa própria, unilateral e pessoal. Contudo, quem sabe disso? Creio que seja necessária uma elucidação, esclarecimento, para termos sustentação mental de suportar uma outra base de responsabilidade na qual nós temos controle ou escolha. Digo suportar não apenas pelo próprio reconhecimento, mas por sabermos que as coisas são simples, porém não menos complicadas, quando delimitamos um paralelo entre ignorância e hipocrisia.

A culpa não precisa ser dada necessariamente apenas ao capeta, todavia também à cincunstância. Se eu, por exemplo, escolho em praticar determinado ato por satisfação própria vindo futuramente uma consequência, a culpa da mesma consequência é fundamentada naquilo que me levou à prática... Muitas vezes, quando ouço de pessoas esse tipo de desculpa, internamente fico pasmo pela capacidade da mente humana em burlar uma realidade descarada fabricada na inconsistência ideológica do próprio ego, automatizando uma máscara nas decisões como sendo "outros fatores" os reais condutores de toda e qualquer escolha que, sendo pessoal, terá na vergonha o propósito da hipocrisia em dizer: "não é bem assim". A vergonha, assim, é apenas um detalhe esquecido no ato da pessoa. Esta, ao mascarar com desculpas esfarrapadas uma atitude dando a responsabilidade à circunstância, é contraditória em si mesma, pois se auto-intitula incapaz de analisar a própria decisão a ser tomada; nesse parâmetro, estupidez é um elogio. E creio que, sinceramente, a inocência não seja tão grande assim... Inocência em quê? Em firmar nas circurtâncias ou terceiros a culpa sobre qualquer escolha. Tomei uma decisão? Sim, a decisão é sua. Ser influenciado é problema de quem é fraco na própria personalidade básica de expansão racional. E verdadeiramente em alguns casos as desculpas são irracionais. Apenas eu percebo isso? Não, todos percebemos, mas esconder a responsabilidade é a proeza daqueles não mais humanos por demasia de razão, contudo por "instinto" de fraqueza individual, ordinariamente pífios ao ponto de transbordar hipocrisia na própria desculpa, ainda que esta seja seguida de sinceridade.

Ao ler Nietzsche e outros filósofos pessimistas, entro em questões parecidas: a formação do nosso caráter a partir de nossa resposabilidade nas decisões. E por ser Nietzsche o foco do livro "Quando Nietzsche Chorou", sei agora do por que o livro ser tão humano na sinceridade de cada indivíduo... Precisamos nos auto-reconhecermos para sermos validados em nossas próprias palavras. Não há maior prazer em detalharmos características em uma pessoa havendo em si uma falsificação de suas próprias escolhas, sendo todas as decisões sempre tidas por influência ou de Satanás, ou de outra pessoa, ou de uma mera casualidade.

Lembre-se, você, escolher é problema seu. Suas escolhas são problemas seus em sua própria vivência. Responsabilizar ou demonizar um ato é refrescante para nossa mente? Com certeza, todavia é refrescante também quando nos livramos aos poucos de algumas forçações ridículas de nosso caráter em fraudar a realidade estampada em nossos olhos. E ao título do blog eu me refiro: "a ignorância é uma escolha". E não culpe o demônio por ser ignorante...

fonte: http://aignoranciaeumaescolha.blogspot.com

 



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