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O instimto do triunfalismo

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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Como não justificar a necessidade humana de buscar satisfação? E como não reconhecer a célebre interpretação de Nietzsche ao oásis da religião, onde "os ídolos repousam"? Transformaram Deus em ídolos, submetidos ao conforto de cada necessidade humana nas devidas distinções das ações divinas, porque a divisão de Deus é necessária para seu próprio enfraquecimento. Ao mesmo tempo em que se fala da soberania divina, nega-se a mesma com a fatalidade de alterar Deus pela objetividade humana em querer que se faça, que se comande, que se prospere, que se determine. Assistir e participar de reuniões cujos parâmetros são triunfalistas nada mais é que entrar no abismo da compreensão humana. Haja percepção para que se tenha paciência na observação de como se delineiam as ideologias totalitaristas; e não nego que o triunfalismo é somente uma máscara na necessidade de superioridade, necessidade tal que se faz reducionista ao ponto de estimular corridas no rápido ingresso à ideologia, pois quem não se adentra ao triunfalismo de certezas absolutas é como um ateu que ainda se inclina à paixão da superstição; sentem-se como afrontados por demônios e potestades.

Mas nada tenho a reclamar quando, ao observar os bastidores das convicções, vejo que tomei decisões corretas. Reconheço que o fardo é grande quando deixamos de lado a massificação de certos conceitos, ou a defesa incessante de instituições religiosas que apenas usam o nome de Cristo para fins de engrandecimento. Estar fora dos limites aceitáveis pelos religiosos da verdade é como pular fora de um aquário contaminado. Por ora, sinto-me como realmente infectado pelas vertentes do que outrora fora meus parâmetros de fé ou fidelidade ao Evangelho. Talvez seja o resquício de ser sempre amparado pelo pressuposto de que a certeza é sinônima de uma crença avantajada, cuja fórmula se estabelece nos argumentos sem titubeios, os quais muitas vezes apenas é a consolidação de preceitos ambíguos, mas mascarados pela firmeza da retórica. A tentativa de sanação dessa doença se frustra justamente perante a passividade. O comodismo cria um lamaçal de inércias que facilitam a valorização de instintos como fator essencial à crença; e nas remediações das emoções, questionar a base dos atos impensados é como renegar a condição humana e o princípio que se adequa necessariamente à vontade. Tais quais os indivíduos entusiasmados com a beleza da sensação emotiva, há os mais interessantes adjetivos para Deus e sua devida aparência triunfalista, pois Deus, ao conteúdo da visão romântica da criação, criou o homem com emoção. E diante de tal paradigma entre Deus e o homem, é frustrante querer vislumbrar Deus com a sistemática da razão, e a emoção preponderante é justificada, portanto, pelo instinto.

Contudo, é instintivamente que a paixão pela emoção se confunde com a histeria desenfreada à negação do pensamento. A justificativa das mais diversas formas de totalitarismo é como o labirinto de mente humana na necessidade de demonstração. O estímulo do pensamento é antagônico ao estímulo do instinto, porquanto agir instintivamente traz resultados precisos na classificação de um grupo à legitimação de atos e conceitos. E, por assim dizer, é necessário ao triunfalismo a manutenção constante da emoção em peripécias de entretenimentos, pois o conforto do instinto é inerente à personalidade humana. A identificação do triunfalismo pelo instinto emotivo é um regresso sensacional aos primórdios do desenvolvimento de superioridade humana, e pode-se ter como resquício do homem primitivo, comandado pelo instinto, a emoção ao controle das ações, não obstantes originadas na vontade. Pelo desenvolvimento das capacidades humanas foi adquirida, paralelamente ao instinto, a premissa da razão como fundamento da personalidade humana; e os exemplos são vastos na luta da defesa religiosa em frear a razão, erradamente associada à anulação da fé.

A valorização do raciocínio nas questões religiosas classificou a cautela na análise de fatos, atos e conceitos como alicerçada no ceticismo ateu, negando eminentemente qualquer vinculação aceitável entre o cético e o cristianismo. Porém o erro dessa investida ideológica se confirma na ausência de análise às idéias opostas ao credo principal, haja vista que é descartável aquilo que não se tem como a verdade em si, ou, diria, a verdade pela vontade. E pela vontade de não querer reconhecer outras ideologias é que, a saber, se utiliza a razão nas mais diversas formas estupendas de argumentos e investigações, pois é necessário, no desvendar de uma crença, a aniquilação do instinto emotivo para o melhor convencimento alheio concernente à prova final, que resulta em uma suposta verdade plena, intocável e inquestionável.

Essa alternância entre a razão e o instinto emotivo fortalece a divisão entre os pensadores da religião e o povo atrofiado aos mandos e desmandos dogmáticos. É necessário em todos os seguimentos emotivos que se diga aos ares conceitos e ideologias padronizadas à razão, sistematicamente, visivelmente e aparentemente repleto de logicidade. A religião e a mística de crenças e dissabores milagrosos é o ilógico desafiando a razão iluminista; mas qual seria a necessidade de se confirmar, após os incrementos da emoção, a lógica nos conceitos religiosos? É aceitável que para o meio secular sejam dadas demonstrações no exercício da razão, pois a sistematização de conceitos ilógicos vincula a teologia, o estudo de Deus, a um quadro de inteligência, perspicácia e capacidade da crença em mostrar nexidade e coerência. Os indivíduos que não fazem uso dessa variação adentram profundamente ao instinto da emoção, talvez por resposta à razão sistemática. Entretanto caem em descrédito quando apenas se fazem por emotivos sem a anexação de diálogos em silogismos e premissas, porque a emoção em si não serve à conceitualização, mas tão somente à prática em atos. O efeito maravilhoso de práticas visíveis vincula os atos emotivos à demonstração da verdade; e assim são criadas as mais diversas e disformes ideologias teológicas, atreladas à religião, vinculadas à crença, entrelaçadas ao triunfalismo.

E volto, no ponto dos incômodos e frustrações, aos pensamentos ansiosos acerca do que é o Evangelho, e o que é seguir o Evangelho. Triunfalismo e sentimento de superioridade estão sendo apagados aos poucos do meu dicionário da vivência cristã. Mas o fardo dessa tentativa pessoal é grande: não proclamo verdades, apesar de buscar a Verdade; e há quem diga que tal busca é infinita. Os diálogos da confiança ideológica confirmam muitas vezes a alternância entre razão e instinto emotivo, pois é interessante como os tais são a essência da prática espiritual quando se encontram somente em meios religiosos, abafados pelo respirar humano de superioridade e prepotência.

Uma coincidência que não me engana. 

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