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Mistérios da crença   

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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Indubitavelmente que somos corajosos e realmente aproveitadores de situações para demonstrar superioridade, senão um espírito de liderança perante o próximo ou a uma platéia. Assim era Pedro, no seu entendimento inicial e infantil acerca da real mensagem de Cristo e a finalidade dos cravos na mãos do Mestre. Salvo engano perante minha percepção de vida, não há como não reconhecer uma identidade estancada daquilo que se vê nas entrelinhas dos galpões evangélicos. Verdadeiros seres santos e corajosos na destruição do demônio e dos diversos espíritos que causam males, legítimos carregadores das espadas da vitória e da bênção: todos realmente muito corajosos e dispostos a defender, com garras e espadas afiadas para a decepação da orelha dos inimigos, o triunfo da religiosidade evangélica. Seguindo copiosamente os atos de Pedro na defesa de Jesus Cristo, os guerreiros evangélicos fulminam a incredulidade com a certeza da derrota alheia, manifestando uma equiparação interessante na ânsia de Pedro em se justificar como firme sobre a Rocha, porém tão sutilmente confiante na própria força que se exime ao ponto de esbravejar: "eu nunca te negarei!".
 
A certeza de que a fé pessoal é inabalável é tão fascinante que até mesmo o Espírito Santo se envolve nos limiares de argumentos reducionistas, porquanto reconhece-se que pela certeza da fé anula-se o respeito ao próximo no desespero de fazer conhecer o e'u'vangelho dos vitoriosos. A para que se passe claramente a ideológica da certeza da fé destemida, confirma-se o conceito pelas palestras dos homens fortes, exímios profetas e curandeiros de grande fama, que ensinam a perspicácia de como pisar na serpente e a arte de receber o fogo da bênção e do sucesso. Admito meus aplausos ao nível de persuasão alcançado pelos atuais líderes religiosos, e admiro mais ainda aqueles que sequer passaram pelas técnicas homiléticas das faculdades e seminários teológicos.
 
Mas falar acerca dos grandes mestres é tocar na ferida de pessoas subjugadas aos mesmos, ademais a necessidade de aconselhamentos e orações intercessórias, a chamada cobertura espiritual, pois como pode os súditos religiosos não se curvarem aos ícones e fortalezas da convicção? Ainda que se fale da necessidade de nos pautarmos unicamente em Cristo, a classe sacerdotal, nas falácias de poderes espirituais supremos, conduz a ideologia da fé no abismo dos conselhos de sabedoria e palavras precisas, determinadas e contundentes. E que negue a pessoa acerca das palavras firmes, sem titubeios e contradições. Claramente que são os dominadores dessa aparência os maiores condutores de grandes números de indivíduos, todavia o espanto é natural quando os incautos se curvam às bizarrisses. Julgá-los pela limitação no questionamento não é, da melhor forma, uma análise inteligente, porque não se deve somente delimitar os limiares da inteligência, afinal de contas muitos dos indivíduos foram tomados no desespero de problemas pessoais ou familiares, e o consolo de muitos é a firmeza e a certeza na vitória, senão no sentimento de superioridade pregado nas grandes conferências avivalistas.
 
Tal sentimento, dissimulado em forma de piedade pelas almas perdidas, é confirmado na ação objetiva de coragem e determinação quando um grupo está reunido, e nos mesmos grupos a paixão à idéia de fé inabalável se aflora como que em um romance de conto-de-fadas, o qual estabelece fatos morais para que ao final da estória tenhamos aprendido algo construtivo; e a moralidade falaciosa é mascarada pelas expressões de como devemos ser perante a religisiodade tida como plenamente verdadeira, tendo por seguidores os submetidos aos mandos morais de grandes personagens cristãos, pois em toda ramificação religiosa há grandes líderes que se destacam na mídia para o conforto dos corações dos vassalos da mesma espiritualidade. É uma realidade inquebrável da religião e sua metodologia de indução. Pedro, na necessidade de tentar enquadrar Cristo na religião, na afirmação de nunca trair o Mestre, é surpreendido pela realidade da própria certeza, pois Cristo mostra a ele que a coragem e a bravura em nada se relacionam com a vida fundamentada nas palavras, mas sim perante a vivência da mesma palavra. No olhar de Cristo na terceira negação, Pedro é esfacelado pela sua religiosidade de entendimentos e palavras supérfluas, e seu choro e remorso apenas é a consequência de um reconhecimento pessoal.
 
A masculinidade dos corajosos e a veemência de atos concisos muitas vezes são meras categorizações da intimidade inicial de Pedro no Evangelho: uma aproximação meramente ideológica, pautada na defesa física de Cristo e na assimilação da mensagem de Jesus como um objetivo que pode ser defendido pelas artimanhas dos instintos humanos. A intuição de um grupo de pessoas na demonstração de firmeza e coragem apenas esconde, como em um auto-engano promocional de um povo destemido, um efeito psicológico de qualquer grupo que se reúna para fins de unidade e parceria, comunhão em encontros casuais, devidamente preparados para uma série de atos que vislumbrem a prepotência dos religiosos.

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