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O diabo seu amigo   

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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Para enfatizar a importância desse carismático e horrendo ser, considere-o amigo de sua espiritualidade. Faça-o mestre de suas investidas intelectuais na santa batalha espiritual que instiga a sua caminhada em busca da felicidade em Cristo. Nada seria de você sem um empurrãozinho no dualismo espiritual, pois para quê amar a Deus se não há condenação, inferno, diabo, demônios, vultos e macumbas? Nas horas de desespero, nas horas em que não há mais solução, nos momentos de angústia e aflição, o diabo é o amigo de suas desculpas. Fale dele, constantemente. Mas não fale muito: pode ficar evidente demais que a sua fé se baseia no medo do inferno e condenação. Trate-o como semi-deus. Se do contrário, a luta maniqueísta não terá razão, e como poderá você manter sua espiritualidade perante a destituição do seu amigo, o diabo, justo aquele que é a base do fortalecimento de sua fé? Nunca fale de Deus sem citá-lo, pois Deus sem o diabo não tem graça, inclusive Graça.
 
Valorize a leitura que valoriza o demônio, pois são as referências à atuação demoníaca que instiga sua capacidade de pensar, refletir e meditar sobre o maligno. Pense nas artimanhas maléficas que ele prepara todos os dias; você é importante para ele. Sempre repita consigo mesmo, no desespero da existência nas investidas de superações financeiras, determinando a Deus sua ganância, que o demônio não irá retirar aquilo que você construiu, confirmando internamente e burladamente que, se algo acontecer, a culpa é do diabo, o seu amigo. Não obstante, crie uma dicotomia de perdas e ganhos que corresponda ao demônio e a Deus; como pode você, um ungido, passar dificuldades? É coisa de amizade.
 
Conheça os traços e a face do diabo, o seu amigo, para que nas lutas você tenha armas já preparadas contra o ser sustentador de sua ansiedade espiritual. A verdade, meu caro, é que sem o diabo não teria muita alegria servir a Cristo, visto que sequer haverá verdadeiras aventuras nas sombras da noite, em seu quarto, sombras essas o sinal de que seu amigo se encontra presente, sinal daquilo que você buscou. Tenha medo, abomine-o, mas fale dele. Tenha pavor do nome que lhe foi dado e sequer soletre-o. Contudo, refira-se ao seu amigo por meios escusos de pronunciação, afinal de contas sempre há um caminho para a identificação do seu parceito na fé.
 
Odeie o diabo, mas ame odiá-lo. Transfira suas amarguras e ganâncias ao demônio que instiga suas orações e petições, ordens e determinações. Ame tê-lo como inimigo, e não pare de pensar um momento sequer em qual será a próxima tentativa maléfica do demônio na persuasão de sua mente. Imagine-se como constamente atordoado pelo diabo. Imagine-se como que marionete e alvo de um cabo-de-guerra entre Deus e o maligno. Imagine-se realmente muito importante no caminho espiritual na derrocada do maléfico, porquanto para você Cristo não o derrotou completamente na cruz. Reconheça que tal argumento, acerca da derrota do seu amigo, apenas é para você um subterfúgio de convencimento aos incrédulos, e reconheça mais uma vez que valorizar uma batalha demoníaca é a confirmação dessa mentalidade. Não se envergonhe disso: é natural que os amigos sejam sempre convidados a jantar na mente dos demonizadores, pois falar bem ou mal não é parâmetro para o diabo. Fale bem ou mal, mas fale.
 
Dê nome aos demônios: como se familiarizar com seus amigos se os mesmos não têm identificação? Identifique-os, e faça a sua parte: catalogue-os na lista de doenças e maledicências. Aponte os demônios que assolam a vida dos mundanos e infiéis. Aponte os demônios que alegram seus dias de vitória espiritual. Caso o diabo venha a te visitar nas noites de solidão, divulgue a todos, pois lhe é um estátus deixar claro que o seu amigo tem confiança tal para se mostrar visível e sensitivamente. Use tal fato para menosprezo: somente é visitado pelo amigo quem realmente está compromissado com a verdade. Quem não participa dessa experiência espiritual é digno de se reconhecer um descrente, um frio, sem fé. Nas reuniões dos amigos do amigo, conte as experiências satânicas, pois você intrinsecamente sabe que o ibope será alto, e como todos têm medo de pronunciar o nome impronunciável, a atenção será maior nas investidas testemunhais.
 
Jó era um mero aprendiz. Ainda não muito conhecedor da mística divina e demoníaca, não sabia que deveria ter declarado aos ares que o diabo estava derrotado. A vontade de Deus pouco importa. A questão é ter restituição pelas palavras de mandamentos usando-se o nome de Jesus Cristo, visto que você sabe que tal nome é a mágica para a realização de sua contradição no "o que tem distribui aos pobres". Ninguém cumpre essas palavras, então qual o motivo de adiar uma conquista sua, somente sua, fruto de sua fé esotérica na mentalização de um objeto para que o mesmo chegue em suas mãos? Em tudo há um preço, mas esqueça isso. O importante é o seu amigo, o diabo, ser ainda citado nas suas horas vagas de testemunhos de como o demônio tenta retirar aquilo que se alcançou. A sua relação esotérica, bom, deixe-a nas costas da Bíblia, naquele versículo isolado, naquele livro isolado. É refrescante saber que há subterfúgios para a justificativa de sua barganha.
 
Pegue um espelho, e coloque-o na sua frente. Observe atentamente os traços do sujeito que o observa. Apresento-lhe o diabo, o seu amigo.

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