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Interessantemente, o relacionamento de pessoas para com instituições religiosas tem se mostrado adequadamente proporcional à dependência religiosa em seus preceitos mais profundos. O afeto à religião não é mais tão somente uma expressividade de busca humana do divino, mas se tornou a gaiola de acomodação do homem na sugestividade de Deus, fazendo-O um ser meramente ajustável aos conceitos morais individuais, não obstante, frutos da ambição desmedida. Mesmo que se tenha por parâmetro os resultados bons ou ruins da proliferação de casas religiosas, a banalização da mensagem do Evangelho é notória, e o desespero para a cura desse câncer apenas se concretiza pelo fato de que por diversos motivos o quadro se mostra quase irreversível. E, invariavelmente à ganância do homem na reprodução de templos para fins meramente proveitosos, há visivelmente, na surdina da beleza religiosa, uma propagação de seguidores incautos do Evangelho, a pérola que não deve ser jogada aos porcos. Que não se diga acerca do Evangelho não ser compartilhado, contudo há limites no silêncio na percepção de que algo está escuso, escondido nos panos da mentalidade perversa do homem na necessidade de vantagens até mesmo com as palavras de Jesus.
Os templos se tornaram um vínculo tal de comunhão cristã que, na mentalidade da comunidade evangélica, é impraticável o cristianismo se não for mediante a freguesia institucional. A facilidade de demonstração de espiritualidade é fabulosa, assim como é necessário que certas práticas sejam exteriorizadas pelo fato de estarem em conjunto, unidos supostamente pela mesma causa e na mesma crença. As análises de psicanálise não fogem à regra institucional religiosa: certas práticas somente são práticas se exercidas no meio social que compactua com a mesma ideologia, gerando um vínculo, um círculo vicioso na promoção do que se tem por valoroso e aceitável. É curioso notar que é no sistema social religioso que as vontades de superioridades mais se afloram ao ponto de delinearmos condutas por meio das práticas corriqueiras. Inobstante ao conjunto ideológico religioso, a vontade de coragem é um dos parâmetros para a compreensão da ação espiritual. Pratica-se corajosamente as premissas da espiritualidade, fala-se jargões da presença espiritual evangélica, promove-se demonstrações evidentes de emoção, conta-se sobre os milagres de uma fé fundada na troca de favores.
É atordoante entrar em um ambiente e não nos identificarmos com a áurea de piedade, amor e compaixão propagada. Mais corrosivo é andarmos e conversarmos com pessoas que se fazem santificadas mediante a desgraça do próximo, fabricando definições infernais aos afeminados para que, no choro de domingo, se diga acerca das pessoas necessitadas do amor de Cristo. É um paradoxo gangrenoso e funesto. É a expressividade da religiosidade como base dos preceitos cristãos, e penso em como ficariam certos indivíduos se Jesus Cristo não fosse mais vinculado a rituais e adornos de experimentação emocional. O entusiasmo que se sente na percepção de quem é Jesus Cristo e do que é ser cristão está além daquilo falado nas entrelinhas do triunfalismo religioso. As regras nos adestram a nos aproximarmos de um sistema constituído na complexidade do homem; o emocionalismo sistemático é mera consequência daquilo que já se espera. Se as cadências de fatos não se aproximam desse lastro de confiança, definitivamente que o alicerce da instituição religiosa será corroído pelo desmembramento de liturgias apaixonantes, trazedoras dos incautos à beleza do culto sistemático.
É cansativo observar pessoas se movimentando para a construção e planejamento de eventos, reuniões ou grupos de oratória determinista. Ao mesmo tempo em que se vê um alvoroço na construção de acontecimentos religiosos, os comentários e rixas interpessoais refrescam o teatro da espiritualidade institucional, porquanto ao final do alvo já atingido as seqüelas são evidentes, tão claras quanto a necessidade de cada um em abraçar a confiança de lideranças na necessidade da construção de uma relação gracejosa e pomposamente brilhante com a finalização de mais um trabalho feito. Tudo isso é inútil, tão baldado de religiosidade quanto aquele que estabelece relações de caridade para a elevação espiritual. A inutilidade traz resultados, e como resultado a instituição valoriza as boas investidas na pesca dos peixeis fora d'água.
Imagino se, por um fato qualquer, as instituições deixassem de existir, sendo os cristãos meramente cristãos com base no amor de Cristo, visando seguir Jesus e seu Evangelho como fundamento de uma vida não somente encurralada na alienação dos ditos incrédulos. O colapso seria tamanho ao ponto de a cristandade se esfacelar no desespero existencial religioso, e de nada adiantaria a ritualística e emocionalismo para o preenchimento da lacuna das regras humanas permeáveis no espírito. Tal colapso eu vislumbro todos os dias, a todo momento, a todo instante. Aos poucos o colapso diário tem se tornado uma crise sem medidas, de tamanho irreconhecível aos olhos da religião, desmedidamente belo para que as próprias instituições se façam presentes como exultadas na representatividade de Deus. O desafio da emoção se estende no quarto de sua casa, na casa em que você mora, no escritório de seu trabalho. Saber que não haverá a recarga espiritual dominical é um fardo que assola a alma do religioso. Não participar do ritual confortante é a decadência da resistência humana na aceitação de que por cerimônias apenas o homem é deus do próprio homem, jesus do próprio homem, santo do próprio santificador.
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