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O Sábado - Mandamento Moral ou Cerimonial?

                                                                                                                                                                                                                                                                                              

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Nilson José Santana                                                           

De um lado, os Adventistas do Sétimo Dia estribados em Ex. 20:8-11, onde está inserido o mandamento do sábado entre os nove do chamado decálogo.
Do outro lado, toda uma gama de denominações evangélicas, protestantes, para evangélicas e similares, na defesa do primeiro dia da semana - o domingo - dia da recriação e conseqüência de uma conjuntura religiosa do Novo Testamento.
O autor, por sua vez, fundamentado em implicações, contradições e pelo relativismo que o sábado semanal apresenta, fica com o outro lado, apresentando as razões a seguir:

1.0 - A primeira razão é porque o sábado não faz parte da lei moral, erroneamente chamada de decálogo - vale salientar que quando Deus escreveu a Lei Moral nas tábuas de pedras , não as chamou de mandamento, mas, de palavras - As Dez Palavras - conforme está no hebraico. O nosso querido João Ferreira de Almeida, corrigindo o lapso, colocou no rodapé da Bíblia o sentido original do termo: As Dez Palavras -;Voltando ao assunto sabático, afirmamos que, se o sábado fizesse parte da Lei Moral, toda a Bíblia seria um mar de contradições.

A Lei Moral é um patrimônio de todos os povos. Ela revela o caráter de Deus diante da fragilidade humana; É nos seus postulados que o pecador enxerga sua incapacidade de auto justificação perante seu criador. A Lei Moral em sua essência, exigia a absoluta e rigorosa observação a todos os seus mandamentos. A quebra de único sequer, incorre-se na quebra de todos. ( Tiago 2:10). Em toda a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, não é encontrado um versículo sequer que permita a quebra de qualquer um dos seus nove mandamentos, isentando de culpa seu transgressor.
Já imaginou um servo de Deus adorando outros deuses e Deus dizendo:"Ele está sem culpa porque está fazendo isso por uma boa causa"; ou o crente encher a casa de imagens de escultura e ter o apoio do Espírito Santo neste empreendimento?;ou desonrar os pais e ter o aval de Jesus?;A palavra de Deus sempre condenou o homicídio, o furto, a desonra e falso testemunho; e Paulo em Rm. 1:29-32, diz que: "São dignos de morte quem tais coisas pratica.".
Já com o sábado, a coisa é diferente. Por constituir-se em um cerimonial específico do povo de Israel, se lhe permitiu a quebra, sem nenhuma conseqüência para o transgressor. Se o sábado fosse um mandamento da Lei Moral,seu transgressor seria culpado de todo o restante dos nove mandamentos, e a Bíblia se contradizeria, se assim não fosse.
O Sábado Hebdomadário ou semanal, apesar de estar incluso entre os dez mandamentos morais, à semelhança da circuncisão, constituiu-se em mandamento cerimonial e em um sinal entre Deus e a nação israelita - cf. Ex. 31:16-17 ; E por não pertencer à Lei Moral, podia ser violado e o transgressor, repito, ficava isento de culpa .(Mt.12:1-7; Nm. 28:9 ).

2.0- A segunda razão é porque o próprio Jesus, Deus homem e criador do sábado (Col. 1:15), o violou e permitiu que seus discípulos e outros o violassem (Mt.12:1-1). Vale salientar, que o argumento sabatista de que as boas obras podem ser feitas no sábado,vai de encontro ao que determinava o mandamento em Ex 20:10: "Nenhuma obra farás!" Esta nenhuma obra, era interpretada por Deus e pelos seus profetas da seguinte maneira:

Não era permitido:
a) carregar peso (Jr.17:21); Jesus o violou quando mandou que o paralítico carregasse sua cama ( Jo. 5:8-10 );
b) Arar a terra e colher seus frutos ( Ex. 34:21 ); Jesus o quebrou quando permitiu aos seus discípulos colher espigas para comer ( Mc. 2:23-24 ).
O sábado era tão rigorosamente observado que era proibido até:
c) Transações comerciais ( Am. 8:5 )
d) As viagens e os negócios ( Ne. 10:31 e 13:15-16 )
e) Recolher lenha ( Ne. 15:32-36 )
f) Acender fogo ( Ex. 35:3 )
g) Cozinhar alimentos ( Ex. 16:23 )

3.0 -A terceira razão é que se o sábado fizesse parte da Lei Moral, além da Bíblia ser contraditória consigo mesma, como já foi provado, faria de Jesus um dos piores transgressores da Lei e conseqüentemente grande pecador. A Bíblia afirma que pecado é iniqüidade e transgressão da lei ( Tg. 2:11 ) ; E o mesmo Tiago diz, reafirmo, que quem viola um, é culpado de todos ( 2:10 ).
Mesmo sendo repetitivo e redundante, insistimos afirmar que a Bíblia diz que o sábado pode ser violado e o transgressor fica isento de culpa; "ou não tendes lido na lei que aos sábados, os Sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa" ( Mt 12:5) .

A nenhum dos Nove Mandamentos Morais, jamais foi permitida sua violação.Portanto, se o sábado pertencesse à Lei Moral, os sacerdotes seriam culpados de transgredir a Lei.
Jesus em João 8:46,disse: "Quem de vós me convence de pecado?" Realmente, Jesus jamais pecou! Entretanto, por inúmeras vezes, Ele não só violou o sábado, como induziu a outros viola-lo.Se o sábado fosse um mandamento da Lei Moral, Jesus seria o maior transgressor dessa Lei. O mais interessante de tudo isso, é que em João 15:10, Jesus afirmou: " Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai (Deus)"; Logo, o sábado fica fora dessa conjuntura Moral, porque foi violado por Ele (João 5:18).

4.0 -A quarta e última razão, é que o sábado Hebdomadário,o dia específico de guarda do Antigo Testamento, não foi mais o mesmo depois da batalha de Josué quando o sol se deteve por quase um dia, completando-o na época do Rei Ezequias com os 18 graus que faltavam,completando, desse modo, um dia inteiro no calendário Universal. Com isso, foi contado um dia a mais no calendário solar, apesar das pessoas continuarem usando seu calendário da época. De modos que um dia foi contado como dois, passando o sábado para o domingo. Tendo o sábado avançado para o domingo, concordou com a determinação Divina que em Levítico 23:7, também escolheu o primeiro dia da semana para o descanso semanal.

Conclusão: O relativismo dado ao sábado no Novo Testamento, o torna inferior aos nove da Lei Moral. Isto porque, em nenhuma parte das Escrituras é encontrada uma palavra sequer, que permita a modificação em um Til, sequer, de qualquer um dos Nove Mandamentos (Mt 5:17-19) . Entretanto, com o Sábado, é diferente! Sofreu profunda modificação, pois, de acordo com a rigorosa observância do dia no Antigo Testamento,nenhuma espécie de benefício podia ser feito (Ex 20:10), mas Jesus o modificou permitindo que o bem, em qualquer circunstância, podia ser feito (MT 12:12)

UMA PALAVRA DE BOM SENSO - Certamente que a escolha do sábado feita por qualquer cristão como dia de repouso e forma de culto a Deus, é um ato louvável. De igual modo, aquele que escolher o Domingo ou outro dia qualquer, como compatível com suas necessidades, também é um ato louvável. O que não deve ser feito, é colocar o dia como complemento da salvação, uma vez que esta não depende do concurso de nenhuma obra, mas do sacrifício remidor do precioso sangue de Cristo ( Ef. 2:8-9;2;13; At. 20:28). Foi para oficializar esse relativismo sabático que Paulo, eliminando o fator dia específico, recomendou o fator período de descanso, o shabaton que é igual à cessação, de onde procede o nome sábado! (Rm.14:1-2).


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